Dâmaso ocupou o trono papal de 366 a 384 e é considerado um dos mais firmes e valentes sucessores de Pedro. Sem temer as ameaças e protecionismos imperiais, demitiu de uma só vez todos os bispos que mantinham vínculo com o arianismo, trazendo estabilidade à Igreja através da unidade, da obediência e respeito ao papa.
Sua eleição foi tumultuada por causa da oposição. Houve até luta armada entre as facções, vitimando cento e trinta e sete pessoas. Mas, ao assumir, trouxe de volta a ortodoxia à Igreja, havendo um florescimento de ritos, orações e pregações durante seu mandato.
Devem-se a ele, por exemplo, os estudos para a revisão dos textos da Bíblia e a nova versão em latim feita por São Jerônimo, seu secretário.
Em seu papado a Igreja conseguiu uma nova postura em sua participação na vida pública. Os bispos podiam escrever, catequizar, advertir e condenar. São Dâmaso sabia como ninguém se entender com os impérios e reinados e conseguia paz para que a Igreja se auto-administrasse.
Seu administrador era também um poeta inspirado pelas orações e cânticos antigos. Graças a ele as catacumbas foram recuperadas, com o próprio papa percorrendo-as para identificar os túmulos dos mártires e dar-lhes as devidas honras. Ali mesmo exaltou os mártires em seus famosos Títulos -epigramas talhados nas pedras pelo calígrafo Dionísio Filocalo.
São Dâmaso I escolheu pessoalmente o túmulo no qual queria que fossem depositados seus restos mortais. Na Cripta dos Papas, localizada nas Catacumbas de São Calisto, ao término dos seus escritos em honra deles, deixou registrado: "Aqui, eu, Dâmaso, gostaria que fossem depositados meus espólios. Mas temo perturbar as piedosas cinzas dos mártires".
Ao morrer, com quase oitenta anos, foi sepultado num humilde túmulo na Via Andreatina.
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