4ª Parte                               Abordaremos agora a nossa história no Brasil. Começaremos com o Colégio Santa Maria.


COLÉGIO SANTA MARIA – São João de Meriti/RJ

4Historia mosaico


Os Franciscanos, OFM estavam presentes em São João de Meriti/RJ e outras cidades da Baixada Fluminense. Sabendo da presença das irmãs alemãs em Rio Bonito/RJ e conhecendo a Baixada como lugar próprio para a vida franciscana por ser pobre e habitada por pessoas de grande vulnerabilidade social, os freis franciscanos de São João de Meriti solicitaram a presença das irmãs nesta localidade.

Como Rio Bonito não favorecia o crescimento da escola e já havia na cidade um Colégio Municipal ou Estadual muito bem estruturado, as irmãs se lembraram das palavras de Abraão: “Vai para a terra que eu te mostrar”. Em São João foram esperadas, em pleno Carnaval, por um grupo de Filhas de Maria. Estas levaram as irmãs para a Casa Paroquial. O Vigário, Frei Justo, recebeu-as cordialmente.

Como a casa que estava prevista para as irmãs morarem, ainda não havia sido liberada pelos inquilinos, elas ficaram hospedadas na casa do Sr. Manoel Gonçalves. Ele pôs a sua casa à disposição das irmãs, que usavam, principalmente, dois quartos onde trabalhavam, comiam, dormiam e rezavam.

Aos dias 15 de fevereiro de 1940, com grande alegria, as irmãs puderam mudar para a “sua casa”.

Contando com os elementos necessários para o funcionamento, o Colégio foi considerado fundado no dia 13 de fevereiro de 1940. As aulas tiveram início no dia 1º de março com as bênçãos de Deus através da presença do Vigário, o clero, alguns convidados especiais, como também o povo de Deus. Não foi fácil acomodar inúmeras crianças em uma casa improvisada. Os quatro quartos de mais ou menos 50m² ficaram superlotados nos períodos de aula. Uma das salas servia também de refeitório para as irmãs. O quarto de empregada e o antigo galinheiro, em cima de uma fossa, constituíam o dormitório. Ir. Raphaelis Köglmayer contava que foi desgastante limpar e ajeitar estes cômodos e deixá-los em condições de um quarto de dormir. 


Em dia de chuva, podiam contemplar a “Irmã Chuva” dentro do quarto. “Este tempo serviu para colocar à prova o conhecido espírito de abnegação “das filhas de São Francisco de Assis”. Diz a crônica deste início de 1940.

Dois dias após o início das aulas, o Vigário benzia a pedra fundamental para a construção de um novo pavilhão escolar. Com ela começou a luta financeira, por vezes angustiante para as irmãs.

Frei Justo as beneficiou com um salário de CR$ 100,00 a 200,00 (cem a duzentos cruzeiros) mensais, por um tempo. Foi ele também que, percebendo a vida dura de nossas irmãs, mandou uma carta de recomendação à benfeitora D. Alice Wigg (Lagoinha/RJ), que as ajudou com uma generosa soma de CR$ 8.500,00 (oito mil e quinhentos cruzeiros) moeda da época.

Aos dias 28 de abril de 1940, a obra, dada como concluída, foi consagrada à Maria Medianeira de Todas as Graças.

No ano de 1941 foi construída uma varanda, pois o “Irmão Sol” entrava com todo vigor pela janela, causando desconforto para as crianças.

No mês de setembro, a tão necessária moradia para as irmãs começou a ser construída, com um empréstimo feito à Caixa Econômica Federal.

O Colégio crescia e foi reconhecido oficialmente. Dois meses depois, com o mundo em plena guerra – Segunda Guerra Mundial – aos 29 de julho de 1942 – a Polícia de Niteroi, após uma denúncia anônima, emite um mandato de fechamento da Escola, pois o Colégio (Liceu Santa Maria) era dirigido por irmãs alemãs. O fechamento da escola e o medo da situação em que se encontravam como alemãs, levaram-nas mais uma vez ao Calvário. A Diretora, D. América Soares Cabral, não estava presente no momento da ordem de fechamento. Foram trinta e quatro dias de sofrimento, de tristeza e amargura. Graças ao empenho do Bispo Diocesano de Barra do Piraí/RJ, D. José André, o Liceu Santa Maria foi reaberto. E, assim, os 650 alunos retornaram às aulas. “Mais uma vez se percebeu que as portas do inferno não prevaleceram contra a verdade e a justiça de Deus”, diziam as irmãs.
Inúmeras pessoas afluíam para o Liceu, felicitando-as por mais esta graça.

O Colégio Santa Maria acolhe no seu aconchego crianças, adolescentes e jovens de todas as raças e credos, sem distinção, procurando dar o melhor de si para os 2.030 alunos, em 2015.

O povo meritiense é grato pelo ensino de qualidade e pela formação integral de seus filhos. E os mais antigos fazem questão de lembrar que nossa querida Irmã Claudia Schmid fez muitos vestidos de noivas para jovens na década de 1950, 1960, ajudada pelas outras irmãs. A eposa do Senhor Arthur Sendas, um dos acionistas das Casas Sendas, teve seu vestido confeccionado por nossa querida Irmã Claudia.

O Colégio Santa Maria esteve sempre aberto às necessidades da população escolar, adequando seus cursos de acordo com a demanda, para melhor servir, informar e principalmente, formar. Formar cidadãos livres e conscientes de seu dever e papel na sociedade e no mundo.

 


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