“O Senhor é a fortaleza de minha vida”. “Nele coloco toda a minha confiança”!

 

Neste momento difícil, mais uma Irmã nossa parte para a Casa do Pai. É a terceira, durante a disseminação do vírus da pandemia da Covid19. As mortes não foram provocadas pelo vírus, mas, nossa dor foi grande por não poder despedir, nem fazer velório.

Irmã Maria Cecília Pires OSF (Iracy Pires) nasceu em Além Paraíba/Minas Gerais, Diocese de Juiz de Fora, no dia 31 de julho de 1927.

Ela era a terceira filha após um irmão e uma irmã. Muito cedo ficou órfã de pai. E com 08 anos, órfã de mãe. Passou a depender da caridade de tios maternos. Aos 11 anos de idade, ela e os irmãos mudaram com seus tios para o Rio de Janeiro. No Rio, ela continuou o Curso Fundamental que havia sido interrompido.

Quando as Irmãs Franciscanas de Dillingen chegaram em Duque de Caxias/RJ, a menina Iracy foi matriculada no Colégio Santo Antônio, onde cursou a 3ª série do Ensino Fundamental. Como já tinha idade além da fase, fez o Curso de Admissão, pulando a 4ª série e, depois, o Curso Comercial Básico. Durante estes anos aprendeu harmônio. No ano seguinte, trabalhou num escritório durante o dia e à noite fazia Curso de Contabilidade. Não terminou o curso, como ela mesma disse, “por motivos diversos”.

Em 1950, no dia 31 de maio, expressou para Irmã Liebharda Fisher o desejo de ingressar na Família Religiosa das Franciscanas de Dillingen. A partir daí, ficou sob a orientação de Irmã Liebharda. Em julho do mesmo ano, foi aceita como candidata, mas permaneceu em casa, sendo acompanhada até a entrada no Postulantado que se realizou no dia 15 de janeiro de 1951. “Não faltaram oposições e dificuldades dos parentes”, como ela mesma escreveu na sua biografia. Com personalidade forte, venceu as resistências e iniciou seu Noviciado no dia 26 de julho de 1951.

Quando jovem irmã, foi tísica pulmonar e ficou alguns anos em Campos do Jordão/SP para tratamento.

Em São João de Meriti/ RJ, sua primeira transferência, trabalhou como professora primária, embora não tivesse formação para tal. Foram dois anos difíceis para ela. Em 1954 foi transferida para Presidente Getúlio/SC e exerceu a profissão de auxiliar de escritório. Em 1955 foi transferida para Urubici/ SC e lá, no Hospital São José, ajudou como auxiliar de Enfermagem. Em 1959 aceitou a transferência para Uberlândia/ MG, como educadora do Orfanato dos Vicentinos. Em Uberlândia teve a oportunidade de fazer os Cursos de Corte e Costura e de Arte Culinária. Doou a vida neste orfanato até 1968.

Duque de Caxias/RJ, foi a seguinte cidade que acolheu Irmã Cecília de 1968 a 1973 como secretária do Conservatório de Música. Ajudava também a fraternidade na área da enfermagem. Fez um Curso intensivo de Iniciação musical e Regência de Coral. Irmã Cecília tinha uma voz lindíssima. Cantava de preferência a segunda ou terceira voz. Em 1973, foi lhe oferecido fazer o Curso do CEFEPAL (Centro de Estudos Franciscanos e Pastorais para a América Latina) em Petrópolis/RJ. Era um curso intensivo de um ano. Em 1974, Ir. Cecília assumiu o Aspirantado até 1976, em Duque de Caxias.

Em 1976 até 1979 foi transferida para o Colégio Santa Clara – Urubici/ SC, onde assumiu o serviço de Coordenadora da Fraternidade.

São João de Meriti/RJ a acolheu em 1979 a 1980 para serviços gerais na fraternidade. No final do ano de 1980 a 1983 foi prestar serviços em Nova Friburgo como Coordenadora da Fraternidade São João.

Em fevereiro de 1983, Ir. Cecília foi transferida para Duque de Caxias e serviu como doméstica e secretária do Conservatório de Música. Enquanto morou em Caxias dedicou muito tempo de sua vida aos pobres da Vila Nova, juntamente com Irmã Maria do Rosário Carrijo. Em 1992 foi chamado para São João de Meriti, como Coordenadora da Cozinha.

Gostava de ajudar no Asilo de Idosos dos Vicentinos em Vilar dos Teles/ São João de Meriti. Mesmo com a saúde debilitada, Ir. Cecília deixava ser buscada de carro e ia servir com alegria neste asilo pobre e necessitado de atenção. Irmã Cecília se sentia muito amada no asilo. Era uma segurança tanto para os idosos quanto para os funcionários. Sua presença era sempre alegre e atuante, embora estivesse debilitada pela doença. Quando não podia mais ir ao Asilo, todos sentiram sua falta, principalmente os idosos que recebiam dela atenção e palavras de ânimo.

Em setembro de 2017, foi transferida para Duque de Caxias, pois precisava de atenção especial na área da Enfermaria. Só conseguia andar do quarto para a sala de TV da Enfermaria, apoiando-se em algo. Participava de três a quatro Santas Missas pela TV. Gostava de escutar palestras e oração do terço nas TVs católicas. Estava sempre bem preparada espiritualmente.

Sofreu muito nos últimos anos de falta de ar e cansaço. Teve três pneumonias em sequência que a deixaram muito fragilizada. Precisou de balão de oxigênio durante alguns meses. Assim mesmo era bem-humorada e dizia para as enfermeiras que ela estava no hospital para levar seu “atestado de óbito”. Nos últimos dias de sua vida, sempre dizia: “Eu estou preparada”. Antes de ir para o Hospital, com muita falta de ar, mostrou para Irmã Veralúcia de Assis, apontando onde estava a caixa com sua roupa do encontro com Deus.

No Hospital, foi necessário intubá-la, mas teve duas paradas cardíacas e não resistiu, vindo a óbito. Deus a tenha no seu Reino!

Com seus familiares e com suas Irmãs Religiosas, queremos louvar a Deus pela vida bem doada e vivida de Irmã Cecília. Que ela possa agora cantar com os coros dos Anjos, pois de alguns anos para cá, não podia mais soltar sua voz possante, mas delicada.

 

Irmã Sueli Sendra e as Irmãs da Província de Caxias


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