NECROLÓGIO DE IRMÃ MARIA INÊS BATISTA

 

Duque de Caxias, 13 de setembro de 2020

 

 

“TUDO É TEU MEU SENHOR, TAMBÉM MEU VIVER, POR TEU AMOR”!

 

 

 

Irmma foto

1°Cante o céu o teu louvor, as estrelas, o sol, em seu fulgor.

Vento e nuvem, orvalho e flor, fogo irmão, bendizei o meu Senhor!

Mar sem fim, tua amplidão, fala de meu Senhor ao coração.

2° Vento e nuvem, orvalho e flor, fogo irmão, bendizei o meu Senhor!

3° Mar sem fim, tua amplidão, fala de meu Senhor ao coração.

   

Irmma texto

Este é o Canto de Ofertório de uma Missa que Ir. Inês compôs para a festa de São Francisco. Ultimamente, já com uma certa demência,cantava este canto com entusiasmo e fazia como se estivesse tocando harmônio na mesa do refeitório ou na cama. É realmente uma composição muito vibrante. Sua família tinha muitos dons musicais.

Irmã Inês foi a segunda filha entre seis irmãos. Nasceu no dia 19 de janeiro de 1930, no Rio Grande do Norte. Em 1932, a família se mudou para João Pessoa/PB. E, em 1942,para Recife/PE. Lá, ela concluiu o Curso Ginasial, hoje, Ensino Fundamental II. Mais tarde, seus pais e irmãos vieram para Duque de Caxias/RJ, onde ela conheceu as Irmãs Franciscanas de Dillingen.

Entrou para a Congregação e fez seis meses de aspirantado. Em 15 de janeiro de 1951 foi admitida ao Postulantado. No dia 26 de julho de 1951,começou o Noviciado. Em 1952 fez a Primeira Profissão e em 1957 a Profissão Perpétua.

Foi professora de Música e História do Brasil em Duque de Caxias, no Colégio Santo Antônio. Transferida para São João de Meriti/RJ, em fevereiro de 1968, também assumiu as aulas de Música. Lá, ela formou um coral que ficou conhecido na Baixada Fluminense. Das alunas do Coral, temos hoje, no Brasil, uma cantora famosa, Maria de Fátima que, como cantora, usa o pseudônimo de Joana.

Em 1985 foi transferida para Duque de Caxias e assumiu a Escola de Música que teve a participação de muitos alunos que abrilhantavam as audições com presença de pais, familiares e amigos. Ela se esmerava por ter um auditório com cenário muito bem preparado. E sempre procurou os melhores aparelhos para que tudo saísse perfeito. A música era sua alma, seu corpo, parte importante de sua espiritualidade. Respirava música. Nas suas anotações, ela escreveu: “A Música une; A Música eleva; A Música alegra! A Música traduz em harmonia o Bem, a Paz, o Amor”!

Dedicou-se de corpo e alma em preparar os cantos para a Santa Missa na fraternidade, sempre bem relacionados com as leituras do dia.

O avanço da surdez, sua exigência e esquecimento,foram afastando os alunos da Escola de Música. Não queria perder tempo com aluno que não se dedicava. Deixou, então, de ensinar piano, bem como de tocar na fraternidade.

Alguns dias antes de ter um infarto, ela me procurou e disse que já estava preparando a Missa de São Francisco. Queria tocar a Missa que compôs. Eu lhe disse que não se preocupasse, pois ainda estava cedo. Mas frisou que precisava preparar este projeto. Já estava avançando na demência senil.

Irmã Inês teve sempre problema sério de alergia. E, ultimamente, veio se agravando, juntamente com problema degastrite, arritmia, hipertensão arterial crônica que a deixava muito nervosa. Controlava a pressão, mas sempre precisava de uma atenção especial na sua saúde.

No dia 1º de abril de 2018, Domingo de Ramos, Ir. Inês começou seu Calvário juntamente com Jesus. Sofreu um infarto. Uma irmã ouviu-a pedindo socorro e dizendo: “Meu Jesus misericórdia, não me deixe morrer sozinha”! Esta irmã abriu a porta e viu-a caída de bruços no chão do quarto. Ficamos com receio de virá-la e ter um membro fraturado. Ir. Veralucia pediu ao porteiro para ajudá-la a colocar Ir. Inês na cama e chamou a ambulância. Com a batidano chão, formou-se um coágulo do lado esquerdo na cabeça.

No Hospital, foi difícil contê-la. Usou de suas forças para sair da cama. Quando veio para casa, Fraternidade Santo Antônio, ficou praticamente acamada. O Alzheimer foi se acentuando cada vez mais.  

No dia 9 de setembro, com o coração enfraquecido e dificuldade respiratória, foi internada na UTI do Hospital Mário Lioni, em Duque de Caxias/RJ. Estava muito debilitada. Hoje, dia 13 de setembro, véspera da exaltação da Santa Cruz, da qual era muito devota, às 15horas e 45minutos, ela partiu para a eternidade. O atestado de óbito registra choque séptico e pneumonia.

Antes do infarto, com letra tremida, ela escreveu no seu caderno de anotações: “Minha alma está repleta de PAZ e, tranquila, repousa nas mãos de DEUS”!

E foi assim que ela se entregou nos braços do Pai: tranquila e serena.Deus dê a ela um céu com muita música e sons de instrumentos variados!

 

Ir. Sueli e as Irmãs da Província da Divina Providência - Duque de Caxias/RJ


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