2ª Parte

1774 – 1ª ESCOLA DAS IRMÃS FRANCISCANAS DE DILLINGEN:

Em 1774, a pedido do Bispo de Augsburgo, Dom Clemente Wenceslaus, as Irmãs Franciscanas de Dillingen assumem o serviço dedicado ao ensino da juventude de Dillingen. Esta missão colocou-as diante das necessidades locais e lhes abriu os horizontes para passos mais largos.

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IRMÃS FRANCISCANAS DE DILLINGEN E A SECULARIZAÇÃO:

Com a secularização, em 1803, as irmãs Franciscanas de Dillingen foram desapropriadas de seus bens. Tudo passou para o Estado. Elas passaram por provações, privações e extrema miséria. Em 1805, a cronista escreve: “No dia 1º de outubro, tornamo-nos pensionistas, pois tudo nos foi tirado. Confiamos que Deus nos dará sua bênção”. Com dificuldades financeiras e doenças, continuaram sua jornada na confiança de que Deus provê. Em 1826, após tentativa frustrante ao Rei da Baviera, uma das irmãs faz novo pedido ao seu sucessor, Rei Ludovico I para restaurar e encaminhar medidas necessárias para a subsistência da Escola Feminina de Dillingen prestes à extinção. E esta graça da restauração lhes foi concedida. Aos poucos foram se erguendo novamente.

THERESIA HASELMAYR:

Nesta primeira metade do sáculo XIX, uma jovem nascida em Dillingen, Theresia Haselmayr, tornou-se uma coluna forte na história das nossas irmãs.
Muito jovem, assumiu a direção da Congregação em tempos difíceis. Na sua gestão o número de irmãs cresceu significativamente. Expandiu a obra, abrindo casas filiais em várias cidades. Deu novo impulso à Escola Feminina. Teve um coração compassivo para com os pobres e especialmente os portadores de deficiência. Assumiu o ensino de meninas surdas-mudas. E assim foram fundadas as primeiras casas da Fundação Regens Wagner, que abriram caminhos para uma obra social que se desenvolveu rapidamente até os nossos dias. Hoje, a Fundação Regens Wagner cuida não só de surdos-mudos, mas de pessoas portadoras de deficiências diversas.

Com ela também nasceu o zelo missionário.

IRMÃS FRANCISCANAS DE DILLINGEN E A 1ª GUERRA MUNDIAL:

No início do século XX, os rumores da 1ª Guerra Mundial inquietavam as Franciscanas de Dillingen.

A tragédia do Titanic em 1912 chamou a atenção da Europa para a América. Neste ínterim, o Abade de Colegeville, Minosota, nos Estados Unidos, pediu irmãs da nossa Congregação para prestarem serviços nos Estados Unidos da América. A Madre Geral, na época, Ir. Inocentia Mussak sentiu o apelo de Deus, a iluminação do Espírito para a primeira expansão. E assim ela se expressou:

“Sim, poderíamos ter uma casa, um ramo da nossa Congregação transplantado no Novo Mundo; assim, se alguma coisa nos acontecer aqui, na Alemanha, nós ainda teremos irmãs para o serviço do Reino em outra terra”.

E foi assim que muitas voluntárias de garra, sabendo que talvez nunca mais voltariam à Pátria, nem reveriam seus familiares, deram seu “sim” para os Estados Unidos, em 1913.

REGIME NAZISTA / IMINÊNCIA DA 2ª GUERRA MUNDIAL E 2ª EXPANSÃO:

Mais tarde, em 1936, devido à pressão do Regime Nazista; o confisco dos bens das irmãs novamente; a proibição das irmãs atuarem nos diversos setores de trabalho; os rumores da 2ª Guerra Mundial, nossas irmãs são colocadas mais uma vez diante de uma janela que se abre ao novo, pois, “quando o homem fecha uma porta, Deus abre uma janela”. Neste ano de 1936, os Bispos brasileiros se empenharam em apoiar a abertura de escolas católicas. As Beneditinas de Twitzing, cidade ao sul da Alemanha, já prestavam este serviço educacional em algumas cidades brasileiras. O Bispo de Niteroi pediu a elas para abrirem uma escola em Cabo Frio. Como não dispunham de irmãs para mais uma escola, e conhecendo a situação delicada que nossas irmãs estavam vivendo em Dillingen, fizeram contato, e mais uma vez nossas Franciscanas de Dillingen aceitam o desafio de expandir para a América, desta vez, na América do Sul, Brasil.

Em 1937, seis irmãs corajosas, (Irmãs: Adelaide Stammler, Liebharda Fisher, Raphaelis Köglmayer, Brunhilde Schneider, Walgildes Eichberger e Reisindes Mayer), sem conhecerem a língua portuguesa, os costumes e sem dinheiro suficiente para começar, vieram para o Rio de Janeiro. E quase dois meses depois, outras seis foram para o Nordeste, na Paraíba.

Aqui fizeram histórias. De Cabo Frio e Rio Bonito a São João de Meriti e Duque de Caxias. O espírito missionário era grande. O idealismo, a coragem, a fé, o dinamismo e a juventude as fizeram abraçar todas as dificuldades; transpor todas as barreiras: línguas, situação financeira, proibição de contato com a terra natal e seus familiares, saudade, doença, tudo...

O amor pelo Reino fez delas mulheres batalhadoras e corajosas, presenças fortes e marcantes em várias Cidades e Estados brasileiros. Hoje, continuamos esta história com outras dificuldades, mas também com alegrias e esperanças.

3ª EXPANSÃO DAS IRMÃS FANCISCANAS DE DILLINGEN E SEUS SONHOS:

Também na Índia, temos um expressivo número de irmãs nas áreas mais pobres, desde 1976. Fazem missão pela presença solidária junto aos moradores de rua, aos doentes em Postos de Saúde, na Educação e onde se faz necessário.

Sem dúvida, nesta conjuntura de mundo em que estamos vivendo, de modo particular no Brasil, na qual assistimos todos os dias acentuadas denúncias de diferenças sociais gritantes: gemidos de crianças, corpos imundos, “gente, meu Deus”, disputando lixeiras e marquises, precisamos acordar e, ainda mais, somar forças na construção de um projeto social solidário.

Estamos caminhando e, conosco, carregando um sonho, um sonho que não se sonha só, um sonho que aos poucos vai se tornando realidade dentro de nossas escolas, creche, trabalho com crianças e jovens carentes, idosos e pastorais diversas: Este sonho é educar para valores da integridade, isto é, da solidariedade, partilha, respeito, senso crítico, participação, compromisso.

“Inspiradas em São Francisco de Assis, seguir Jesus Cristo, o servo de Deus, pobre, crucificado e ressuscitado, vivendo a contemplação na ação, atentas às necessidades dos tempos e aos apelos da Igreja” é o nosso carisma, como Franciscanas de Dillingen. (Continua no próximo número do “Jornal Pilar”).

Ir. Sueli Rubens Sendra

 


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