Pode haver atitude mais humilde do que não aceitar promoção de cargo na carreira? Pois foi o que propôs São Francisco Caracciolo ao sugerir que a ordem de cuja fundação participava, assumisse mais esse voto.
Além dos votos de pobreza, castidade e obediência, os Clérigos Regulares Menores também não aceitariam nenhuma dignidade eclesiástica. Seus companheiros acolheram a proposta, tal era o exemplo de vida dado pelo Depositário Geral da Ordem, Ascânio Caracciolo.
Assim ele fora batizado ao nascer em Vila Santa Maria de Chieti, perto de Nápoles, a 13 de outubro de 1563 e, a partir daquele dia, assumia o nome de Francisco.
A vida de São Francisco Caracciolo sempre esteve ligada à aura mística. Conta-se que, ainda jovem, foi atacado pela lepra, doença terrível, incurável na época. Ele teria rezado e feito uma promessa a Deus: se fosse curado, também se converteria. Converteu-se.
Em agradecimento, ao mudar-se para Nápoles, com apenas vinte e dois anos já fazia muitas penitências. Chegava a dormir somente três horas por noite, jejuava três vezes por semana e "astigava o corpo com cilício" Uma atitude admirável para aquele tempo, mas excêntrica em nossos dias. Para o cristianismo de então foi de inestimável valor, pois sua forma de vida atraiu muitos fiéis que, embora não seguissem as penitências, tomavam contato com a fé cristã e acabavam se convertendo.
Ficou conhecido, principalmente na Espanha, como pregador do amor divino. Dizemos principalmente na Espanha porque foi ali que mais atuou e onde sua palavra mais repercutiu. Na localidade de Valadolid fundou uma casa religiosa, em Alcallá um colégio e em Madri foi mestre de noviços. Mais tarde, voltou a Nápoles, onde foi também superior da Casa de Santa Maria Maior.
Foram atividades intensas, realizadas num curto espaço de tempo e seu corpo frágil logo se ressentiu. Viveu apenas quarenta e quatro anos, morrendo a 4 de junho de 1608.
Logo após sua morte teria ocorrido o primeiro milagre: durante seus funerais um aleijado foi curado. A partir daí, muitos outros milagres foram registrados e São Francisco Caracciolo foi canonizado em 1807, pelo Papa Pio VII.
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