Até hoje as "Catequeses" escritas por São Cirilo servem de baliza para a Igreja. Ele viveu nos primórdios do cristianismo, nasceu em 315, ordenou-se sacerdote em 345 e foi bispo de Jerusalém de 350 até 387, quando morreu.
Estes foram tempos difíceis em que os primeiros cismas dividiam os católicos. Desde o início dos tempos cristãos a heresia se infiltrara na Igreja, mas foi no século IV que o arianismo e o nestorianismo causaram profundas divisões.
Enfrentando tudo isso logo em Jerusalém, não é difícil imaginar por que São Cirilo foi três vezes deposto, exilado, inocentado e renomeado para o posto original. Foram dezesseis anos passados fora de sua diocese por força dos inimigos.
Se seu trabalho de catequese resistiu e perdurou até nossos dias foi justamente porque ele sabia exatamente como ensinar o Evangelho. Em sua cidade, era o responsável por preparar os catecúmenos, isto é, os adultos que se convertiam e iriam ser batizados. Assim, seus escritos explicam detalhadamente oscomos e os porquês de cada oração, do batismo, da penitência, dos sacramentos e dogmas da Igreja.
Cirilo também soube viver a religião na prática. Numa época de grande carestia, por exemplo, não hesitou em vender valiosos vasos litúrgicos e outras preciosidades eclesiásticas para matar a fome dos pobres da cidade.
Sua festa foi instituída somente em 1882. Sua canonização demorou porque, durante muito tempo, seu pensamento teológico foi considerado titubeante, como dizem os registros. É que no início de sua vida religiosa São Cirilo chegou a quase se comprometer com os semi-arianos, mas aderiu completamente à doutrina ortodoxa no Concílio de Nicéia.
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