São Martinho I

São Martinho ISão Martinho (eleito papa em 649) viveu no período das lutas cristológicas, que discutiam a real identidade de Cristo.

Combateu a heresia do monotelismo, que negava a humanidade de Jesus e diminuía assim o valor da redenção.

Como os monotelitas eram apoiados pelo imperador Constâncio II, o Papa Martinho I sabia que o martírio o esperava como conseqüências das atitudes que tomou contra o imperador Constante II, no século VII.

Nessa época, os detentores do poder achavam que podiam interferir na Igreja, como se sua doutrina devesse submissão ao Estado. Martinho defendeu os dogmas cristãos e, por isso, foi submetido a grandes humilhações e às mais humilhantes torturas, até encontrar a paz na morte em 655.

Martinho nasceu em Todi e era padre em Roma quando morreu o Papa Teodoro, em 649. Eleito para sucedê-lo, Martinho I passou a dirigir a Igreja com a mão forte que o período exigia. Para deixar isso bem claro ao chefe do poder secular de então, assumiu mesmo antes de ter sua eleição referendada pelo imperador.

Um ano antes, Constante II tinha publicado o documento "Tipo", que apoiava as teses hereges do cisma dos monotelistas. Estes negavam a condição humana de Cristo, o que contraria as principais raízes do cristianismo.

Para reafirmar posição, o papa convocou ainda um grande concílio, um dos maiores da história da Igreja, na basílica de São João de Latrão, para o qual foram convidados todos os bispos do Ocidente.

Ali foram condenadas definitivamente todas as teses monotelistas, o que provocou a ira mortal de Constante II. Ele ordenou a seu representante em Ravena, Olímpio, que prendesse o papa. Querendo agradar ao poderoso imperador, Olímpio resolveu ir além das ordens: planejou matar Martinho. Armou um plano com seu escudeiro, que entrou no local de uma missa em que o papa daria a comunhão aos fiéis.

Na hora de receber a hóstia, o assassino sacou de seu punhal, mas ficou cego e fugiu apavorado. Impressionado, Olímpio aliou-se a Martinho e projetou uma luta armada contra Constantinopla. Mas o papa perdeu sua defesa militar porque Olímpio morreu em seguida, vítima da peste.

Com o caminho livre, o imperador ordenou a prisão de Martinho e sua transferência para julgamento em Bósforo. A viagem tornou-se um martírio que durou quinze meses e acabou com a saúde do papa.

Mesmo assim, ao chegar à cidade ficou exposto num leito no meio da rua, para ser execrado pela população. Depois, foi mantido incomunicável num fétido e podre calabouço, sem as mínimas condições de higiene e alimentação. Foi condenado ao exílio na Criméia e levado para lá em março de 655, em outra angustiante e sofrida viagem que durou dois meses.

São Martinho acabou morrendo de fome quatro meses depois, em 16 de setembro.


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