São João Crisóstomo

São João CrisóstomoJoão Crisóstomo foi um grande orador em seu tempo. Todos os escritos dizem que multidões se juntavam ao redor do púlpito onde estivesse discursando. Tinha o dom da oratória e muita cultura, uma soma muito valiosa para a pregação do cristianismo.

João nasceu em Antioquia, na Síria, em 348, oriundo de família muito considerada pela sociedade e pelo Estado. Seu pai era comandante de tropas imperiais no oriente, um cargo que cedo causou sua morte. Mas a mãe de João providenciou que os maiores mestres do seu tempo, tanto científicos quanto religiosos, prosseguissem na educação do rapaz.

João já demonstrava a que tinha vindo. Só não se tornou eremita no deserto por insistência da mãe. Mas, anos depois, já conhecido pela sabedoria e pela oratória, fugiu e foi viver na companhia de um monge, durante quatro anos.

Passou mais dois numa gruta, estudando as sagradas escrituras e, então, considerou-se pronto. Voltou para Antioquia e se ordenou sacerdote.

Sua cidade vivia a efervescência de uma revolta contra o Imperador Teodósio I. O povo quebrava estátuas do imperador e de membros de sua família e Teodósio, em troca, agia ferozmente contra tudo e contra todos.

Membros do senado estavam presos, famílias inteiras tinham fugido e o povo só encontrava consolo nos discursos e pregações de João Crisóstomo. Tanto que foi ele o incumbido de dar à população a notícia do perdão imperial.

Alguns anos se passaram, a fama do santo só crescia e, quando morreu o bispo de Constantinopla, João foi nomeado seu sucessor.

Constantinopla era a grande capital econômica e cultural do mundo de então, mas para João era apenas um local onde o clero estava mais preocupado com os poderes e luxos terrenos que os espirituais. Ali reinavam a ambição, a avareza e a política. O bispo abandonou então os discursos e se dispôs a enfrentar a luta e, como conseqüência, a perseguição.

Arrumou inimigos, tanto entre o clero quanto na corte. A união entre os seus inimigos acabou por tirar Crisóstomo do cargo. Foi condenado ao exílio, mas sua expulsão da cidade foi mais um ato de apoio a ele, por parte da população, que o escárnio que os poderosos pretendiam. Ao invés de xingado, ele foi aclamado pelo povo.

Nos dias que se seguiram, a população continuou tão revoltada que João Crisóstomo foi trazido de volta à sua cidade e ao seu cargo. Mas a perseguição continuou e o imperador, com apoio dos bispos inimigos do santo, acabou por conseguir mandá-lo definitivamente para o exílio, onde morreu doente, em 407.

Sua honra só foi limpa quando morreu a família imperial e o papa ordenou o restabelecimento de sua memória. O corpo de são João Crisóstomo foi trazido com pompa e circunstâncias de volta a Constantinopla e suas relíquias agora repousam no Vaticano, em Roma.


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